A Imprensa contra Israel?
Recebi com cautela as informações televisivas sobre o "ataque" de Israel às embarcações de origem turca que supostamente traziam ajuda humanitária à faixa de Gaza. Claro que a esquerda festiva (uso esse termpo para aqueles que se dizem de esquerda, mas que na primeira oportunidade tomam uísque 12 anos às custas do Estado, e o povo que se lasque nos ônibus lotados) imediatamente concluiu se tratar de um crime contra os palestinos.
Eu não vou entrar na questão Israel-Palestina, e faço isso por um motivo muito simples: não sou qualificado para isso. Admito minha ignorância, mas antes a ignorância a idiotice.
Pois bem, o mundo inteiro ficou contra Israel. Claro, os governantes precisam dos governados, e jamais ficariam contra a opinião pública, formada e (des) informada por reportagens incompletas.
A transmissão de fatos é algo de extrema responsabilidade. Lembro como se fosse hoje. Eu e alguns colegas do mestrado viajamos para apresentar artigos acadêmicos em congressos importantes e esquecemos de avisar o professor (lógica da falha da ação coletiva). Apenas dois alunos compareceram, e ao ser questionado pelo professor onde estávamos ele respondeu taxativamente: viajaram. Ele mentiu? Não. Ele omitiu? Não sei, talvez não soubesse mesmo onde estivéssemos (na verdade ele sabia, mas quis nos queimar). Logo o professor concluiu que estávamos em Porto de Galinhas tomando água de coco. Mandou-nos um e-mail demonstrando toda sua insatisfação com a falta de educação. Ao chegarmos, explicamo-lhes o ocorrido. Ele entendeu.
Ora, se isso acontece numa sala de aula com um grupo de 12 pesoas, imaginem com o que acontece ao redor do mundo. Nenhum repórter investiga a fundo um fato que acabou de ocorrer. Se ele for investigar, perde o furo jornalístico. Por isso, joga a notícia de forma incompleta de forma que as pessoas na verdade tenham uma opinião deformada dos fatos.
Casos não faltam. O Caso da Escola Base é um clássico (google it!). Todos os dias os "repórteres" policiais nos dão mais e mais exemplos de como não fazer jornalismo (e como fazer dinheiro para as transmissoras). Qualquer cidadão que chegue a uma delegacia acusado de crime infamante tem a sua imagem publicada na televisão, além de ser achincalhado pelo apresentador do programa televisivo. Está praticamente condenado. Se for constatado que nada teve a ver com o crime, será tarde demais, todos lembrar-se-ão dele como "o elemento", etc., e assim caminha a humanidade, sem bom senso e com vaidade.
Se pelo menos as pessoas tivessem medo de aparecer na televisão como bandidos, já serviria como coerção mais forte do que a própria perda de liberdade. Mas, dia desses vi um(a) travesti rebolando dentro da cela, se exibindo para a câmera, por ter sido presa ao praticar golpe contra um idoso. Vi essa cena pela televisão na casa de uma amiga. Todos a minha volta davam gargalhadas, e eu procurava meu queixo. Fui taxado de chato. Mas me defendi, dizendo que não estava chato e sim triste. Então me perguntaram: Porquê você está triste? Eu respondi: A ignorância traz alegria. A inteligência traz angústia.
A imprensa está contra Israel? Não! A imprensa está contra todos nós!
